Como preparar a sua mota de água para o inverno
A temporada acaba e a mota fica parada vários meses. É precisamente nessa altura que mais se estraga: o sal, a humidade e o combustível velho trabalham em silêncio durante o inverno. Uma boa invernagem evita avarias caras e faz com que, na primavera, volte à água sem surpresas.
Porque é preciso fazer a invernagem de uma mota de água?
Uma mota de água trabalha num ambiente muito agressivo: água salgada, areia, sol e vibrações. Enquanto navega, tudo se mantém em movimento. Quando fica parada durante meses, surgem os problemas típicos:
- Corrosão interna devido aos restos de sal no circuito de refrigeração e no escape.
- Combustível degradado que entope os injetores e a bomba de gasolina.
- Bateria descarregada ou danificada sem remédio.
- Juntas e retentores ressequidos que acabam por provocar fugas.
A maioria das avarias que vemos na oficina em abril e maio vem de um inverno mal preparado.
Os passos de uma invernagem bem feita
1. Limpeza a fundo, por fora e por dentro
Primeiro lava-se o casco e a coberta com água doce e um produto que neutralize o sal. Depois, o mais importante: enxaguar o circuito de refrigeração com o adaptador de lavagem e com o motor a trabalhar durante o tempo indicado pelo fabricante. Assim eliminamos o sal e a areia que ficam lá dentro.
2. Combustível: depósito cheio e estabilizador
Um depósito meio vazio acumula humidade por condensação. O recomendável é enchê-lo e adicionar estabilizador de combustível e, depois, pôr o motor a trabalhar alguns minutos para que o estabilizador chegue a todo o sistema de injeção.
3. Mudança de óleo e filtro
O óleo usado contém ácidos e resíduos da combustão que atacam o motor durante o repouso. Por isso, a mudança de óleo e filtro faz-se antes de guardar a mota, e não na primavera. Na Sea-Doo usamos óleo XPS e filtros originais.
4. Proteção do motor contra a corrosão
Aplica-se lubrificante anticorrosão nas zonas que precisam, segundo o manual de cada modelo, e lubrificam-se os pontos da bomba de propulsão. É aquilo a que na oficina chamamos «lubrificação e proteção do motor».
5. Revisão dos pontos-chave
Aproveitamos que a mota está na oficina para rever o que mais sofre durante a temporada:
- Turbina, hélice e anel de desgaste (se a mota perdeu potência ou vibra, quase sempre está aqui).
- Ânodos de sacrifício.
- Velas e estado do líquido de refrigeração.
- Leitura com o diagnóstico oficial (BUDS na Sea-Doo) para ver avisos, horas de utilização e se há campanhas ou atualizações pendentes.
6. Bateria
A bateria desliga-se e deixa-se com um carregador de manutenção, ou guarda-se carregada num local seco. Uma bateria que passa o inverno descarregada costuma acabar no lixo.
7. Armazenamento
O ideal é guardá-la num local seco e ventilado, sobre o atrelado ou carrinho, com uma capa respirável e o banco ligeiramente aberto para que não se formem humidades nem bolor.
Faço eu ou faz a oficina?
Alguns passos, como a limpeza exterior, pode fazê-los você. Mas o enxaguamento do circuito, a proteção do motor e o diagnóstico exigem ferramentas e produtos específicos. Numa oficina oficial, além disso:
- Seguimos o procedimento do fabricante para o seu modelo concreto.
- Usamos peças e produtos originais, que mantêm a garantia.
- Fica registado no histórico da mota: mais valor no dia em que a vender.
- Se encontrarmos alguma coisa, enviamos-lhe o orçamento antes de mexer em nada.
E na primavera?
Quando chegar o bom tempo, é altura da desinvernagem: ligar e verificar a bateria, procurar fugas, arrancar e testar a mota na água. Se quiser, também a guardamos durante o inverno com o nosso serviço de parqueamento e deixamo-la na água no primeiro dia de sol.




